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Na origem: primeiro romance de um advogado criminalista de Southaven, Mississippi, escrito ao longo de aproximadamente três anos, a uma página por dia, antes do expediente no fórum.
Na rotina que produziu o original: despertador às cinco da manhã, uma hora de escrita no escritório de advocacia e um caderno de folhas amarelas como suporte, sem processador de texto no meio.
Na recepção do mercado: recusa de dezenas de editoras e agentes literários antes do primeiro sim, com o argumento recorrente de que romance de tribunal de autor desconhecido não vendia.
No contrato que saiu: uma editora independente aceitou o original e imprimiu cinco mil exemplares em 1989, tiragem de teste para autor sem histórico comercial.
Na jogada do autor: compra de mil exemplares da própria tiragem, com dinheiro próprio, convertendo um terço do estoque impresso em distribuição sob controle dele.
Nas medidas do caso:
| Ano da publicação de estreia | 1989 |
| Exemplares da primeira tiragem | 5.000 |
| Exemplares comprados pelo próprio autor | 1.000 |
| Páginas escritas por dia durante a produção do original | 1 |
| Horário de início da escrita | 5h |
No canal escolhido: bibliotecas públicas, clubes de leitura, feiras e mercearias do Mississippi, com o autor presente, em vez de prateleira de livraria em cidade grande.
No que o caso prova: que um autor pode assumir a distribuição do próprio livro sem esperar estrutura de editora, e que leitor conquistado de perto continua vendendo depois que o autor sai da sala.
No que ele não prova: que comprar a própria tiragem funciona sozinho. Sem uma rota de pontos com leitor reunido, mil exemplares comprados viram mil exemplares na garagem de casa.
No custo que ele pagou: dinheiro do próprio bolso na compra dos exemplares, meses de estrada em fins de semana e a rotina de acordar às cinco por três anos seguidos, com escritório de advocacia e mandato legislativo em paralelo.
No que fica de rotina para quem escreve: tratar a página da manhã e a rota da tarde como duas obrigações separadas, porque texto pronto sem rota fica em caixa, e rota sem texto pronto não tem o que entregar.
A parte difícil do livro não termina no ponto final. Quem escreve trata o original como linha de chegada e descobre tarde que o original é só o produto que precisa de alguém andando com ele.
“Quantos lugares com dez leitores reunidos você consegue nomear agora?”
Hoje: escreva os nomes de cinco lugares onde dez ou mais leitores do seu tema se reúnem, com o contato de quem organiza cada um, e dispare a mesma mensagem de cinco linhas para os cinco antes de dormir. Cinco nomes, cinco mensagens, 24 horas.
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