In partnership with

Best-Seller do Zero   Best-Seller do Zero
ED 068
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Os 66 caracteres de Bringhurst

Em 1992, um tipógrafo canadense fixou num manual a medida da linha ideal. O número decide a cara e o tamanho do miolo.

Página de livro aberta com um lápis marcando a contagem de caracteres de uma linha.

Sessenta e seis toques por linha.

▼
 

Uma página impressa, um lápis de ponta fina, uma contagem que para no 66. Os três cabem na mesa de qualquer diagramador desde que o tipógrafo canadense Robert Bringhurst escreveu a regra, e decidem se o miolo (o bloco de páginas do livro, sem a capa) vai cansar ou descansar o leitor.

A contagem funciona assim. O diagramador escolhe uma linha do corpo do parágrafo, longe do recuo e da última linha, e conta letra por letra, somando os espaços entre as palavras e a pontuação. Vírgula conta. Ponto conta. Espaço conta.

Repete o gesto em mais duas linhas e tira a média. O número que sai dali diz se a página foi bem montada muito antes da ida do arquivo para a gráfica.

Uma linha com 90 caracteres obriga o olho a uma viagem longa. Quando chega ao fim, ele precisa voltar até a margem esquerda e achar o começo da linha seguinte, e às vezes erra o alvo: relê a mesma linha ou pula uma.

Uma linha com 35 caracteres cria o defeito oposto. O olho mal engrena e já precisa voltar. As palavras longas não cabem, a hifenização (a divisão da palavra com hífen no fim da linha) se multiplica e a margem direita fica cheia de buracos.

Entre os dois extremos existe uma faixa estreita onde a leitura corre sem esforço. O leitor não percebe a medida (o comprimento da linha de texto, no jargão do ofício) quando ela está certa. Percebe só quando ela está errada, e nem sabe dizer o motivo: larga o livro com uma sensação vaga de cansaço.

Por esse motivo a medida costuma ser a primeira decisão de quem diagrama, à frente da fonte e do tamanho da letra. Ela define a largura da mancha gráfica (a área impressa da página), as margens e, no fim da linha de produção, quantas páginas o livro terá.

O número 66 tem dono, data e livro. O bloco abaixo mostra onde Bringhurst o registrou e por que a faixa aceitável vai de 45 a 75.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Master Claude AI (Free Guide)

The professionals pulling ahead aren't working more. They're using Claude.

Our free guide will show you how to:

  • Configure Claude to be the perfect assistant

  • Master AI-powered content creation

  • Transform complex data into actionable strategies

  • Harness Claude’s full potential

Transform your workflow with AI and stay ahead of the curve with this comprehensive guide to using Claude at work.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  A DOSE

A linha ideal de 1992

Robert Bringhurst, poeta e tipógrafo nascido em Los Angeles em 1946 e criado no Canadá, publicou The Elements of Typographic Style (Os Elementos do Estilo Tipográfico) em 1992. O livro saiu pela editora Hartley & Marks, de Vancouver, e virou manual de cabeceira de quem monta páginas.

A regra da linha aparece no capítulo dedicado ao ritmo e à proporção. Bringhurst escreveu com cuidado: a faixa vale para página de uma coluna, composta numa fonte com serifa (o pequeno traço nas pontas das letras) e em tamanho de texto corrido.

O trecho virou citação obrigatória em cursos de design editorial:

“Anything from 45 to 75 characters is widely regarded as a satisfactory length of line for a single-column page set in a serifed text face in a text size. The 66-character line (counting both letters and spaces) is widely regarded as ideal.” (Qualquer medida de 45 a 75 caracteres é amplamente considerada satisfatória para a página de uma coluna em fonte serifada e tamanho de texto. A linha de 66 caracteres, contando letras e espaços, é amplamente considerada ideal.)

Robert Bringhurst, The Elements of Typographic Style, 1992

Repare na expressão repetida, “widely regarded” (amplamente considerada). Bringhurst registrou um consenso: o número saiu da prática de séculos de impressores e compositores, sem experimento próprio de laboratório, e ganhou no manual a forma de regra.

A mesma página traz a medida para textos em várias colunas, como jornais e revistas. Ali a média melhor fica entre 40 e 50 caracteres, porque a coluna estreita se apoia no espaço branco entre colunas e o olho desce mais do que atravessa.

A faixa de Bringhurst:

Mínimo aceitável45
Ideal66
Máximo aceitável75
Várias colunas40 a 50

A linha certa some da vista; a errada cansa sem avisar.

O 66 cai no centro da faixa por um motivo prático. Em português, onde as palavras são um pouco mais compridas que em inglês, a linha de 66 caracteres comporta de dez a doze palavras, o bastante para o olho pegar ritmo e curto o bastante para voltar sem se perder.

Há ainda um atalho para medir sem contar letra por letra. O alfabeto minúsculo tem 26 letras, e dois alfabetos e meio, de a até z, somam 65 caracteres. Se a linha comporta dois alfabetos e meio na fonte escolhida, está colada no ideal.

O manual ganhou edições revistas em 1996, 2004 e 2012, e a faixa de 45 a 75 atravessou todas sem mudança.

 
 

II  NA PÁGINA

Três botões e uma linha

A medida nasce de três escolhas: o tamanho da página, a fonte e o corpo (o tamanho da letra, medido em pontos). Mexer em qualquer uma delas muda os caracteres por linha.

No formato de 14 por 21 centímetros, comum em romances brasileiros, a mancha gráfica costuma ficar com 10 a 11 centímetros de largura depois das margens.

Numa Garamond em corpo 11, essa largura comporta algo entre 60 e 70 caracteres. Numa fonte mais larga, como a Georgia, no mesmo corpo, a contagem cai alguns caracteres, porque cada letra ocupa mais espaço na linha.

A entrelinha (o espaço vertical entre uma linha e a seguinte) acompanha a medida. Quanto mais longa a linha, mais ar ela pede, para o olho achar o caminho de volta. Linha longa com entrelinha apertada forma o pior par possível.

As margens entram no mesmo cálculo. A margem interna, perto da lombada (a costura do livro), precisa de folga extra, porque a dobra engole parte da página e encurta a linha que o leitor enxerga.

Como medir o seu miolo

Quatro passos, com o arquivo do manuscrito já no tamanho final de página:

1Abra uma página de texto corrido, longe de títulos e de diálogos curtos.
 
2Escolha três linhas cheias, do meio de parágrafos diferentes.
 
3Conte letras, espaços e pontuação de cada linha e tire a média.
 
4Compare com a faixa: abaixo de 45, alargue a mancha ou reduza o corpo; acima de 75, aumente o corpo ou as margens.
 

No Word e no Google Docs, a contagem de caracteres com espaços aparece no menu de estatísticas. Basta selecionar a linha e ler o número, sem contar no dedo.

Linha de diálogo mede a fala do personagem; a página se mede no parágrafo cheio.

O diálogo engana. Uma página com muita fala tem linhas que terminam cedo, e a média despenca sem a medida ter mudado. Por esse motivo o passo 1 pede texto corrido.

A medida também decide o alinhamento. O texto justificado (alinhado nas duas margens) precisa de linha longa para distribuir os espaços entre as palavras. Abaixo de 45 caracteres, esses espaços abrem rios brancos na página, e o alinhamento à esquerda funciona melhor.

 

Quem banca a edição de hoje

Smart starts here.

You don't have to read everything — just the right thing. 1440's daily newsletter distills the day's biggest stories from 100+ sources into one quick, 5-minute read. It's the fastest way to stay sharp, sound informed, and actually understand what's happening in the world. Join 4.5 million readers who start their day the smart way.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O MERCADO

Caracteres viram páginas

A medida decide o número de páginas, e o número de páginas decide o preço do exemplar. Um romance de 80 mil palavras soma perto de 480 mil caracteres com espaços.

Pela aritmética simples, numa página de 32 linhas com 66 caracteres cabem perto de 2.100 caracteres. O romance ocupa umas 230 páginas. Com linha de 55 caracteres e 30 linhas, a página leva 1.650 caracteres e o mesmo texto passa de 290 páginas.

Na impressão sob demanda, a gráfica cobra um valor fixo por exemplar e mais um valor por página. A Kindle Direct Publishing (a plataforma de autopublicação da Amazon) segue esse modelo no livro impresso: cada página a mais encarece o exemplar e reduz o que sobra para o autor no mesmo preço de capa.

Na gráfica offset, usada em tiragens maiores, o papel entra em cadernos (folhas dobradas que formam blocos de 16 ou 32 páginas). O miolo fecha melhor quando o total de páginas cai num múltiplo do caderno, e ajustar a medida em poucos caracteres acerta esse total sem cortar uma frase do texto.

A tentação aparece aqui. Apertar a linha para 85 ou 90 caracteres corta dezenas de páginas e barateia a impressão. O livro fica mais barato e mais difícil de ler, e o leitor cansado larga na metade e não indica a ninguém.

Página economizada na gráfica volta como leitor perdido no terceiro capítulo.

O caminho oposto também cobra. Letra grande e linha curta inflam o volume, e o leitor desconfia de um livro gordo de papel e magro de texto.

No ebook a decisão troca de mão. O Kindle usa texto refluível (que se rearranja conforme a tela e a letra que o leitor escolhe), e os caracteres por linha dependem da fonte, do tamanho e da margem que o próprio leitor define. O autor controla a medida só no impresso e no PDF.

Por esse motivo o miolo impresso merece medição cuidadosa. Ele é a versão fixa do livro, a que vai para a estante, para a foto do leitor nas redes e para a primeira folheada na livraria.

“Quantos caracteres cabem hoje numa linha do seu miolo?”

Hoje: meça 3 linhas de uma página do seu manuscrito, até as 21h, e anote a média no topo do arquivo. Se o número cair fora da faixa de 45 a 75, ajuste o corpo da letra antes de fechar o arquivo.

 
 
Quiz da edição

Em que ano Robert Bringhurst publicou o manual que fixou a linha de 66 caracteres como ideal?

A1996
B1992
C2004
D2012

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

📕📕📕📕📕  ótima 📕📕📕📕  boa 📕📕📕  ok 📕📕  ruim 📕  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 14/10, 15h30

A Public Lending Right →
B Doctorow na Creative Commons →
C A Comédia em toscano →
D Brás Cubas na Revista Brasileira →
 
Recomendação de Newsletter
Mitologia do Dia

Mitologia do Dia

Todo dia, 12:12. Um mito grego virado do avesso: o padrão que ele descreve, e onde ele aparece em você.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

Vá escrever.

Best-Seller do Zero

BEST-SELLER DO ZERO

Seu livro, uma página por dia

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter