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O romance saiu de graça, capítulo por capítulo, durante três anos. Veja o que a plateia devolveu no caminho.
Andy Weir publicou The Martian de graça no próprio site, um capítulo por vez, entre 2009 e 2011. Ele era engenheiro de software, escrevia à noite, e o romance foi ao ar na velocidade em que ficava pronto.
O site já tinha plateia antes do romance. Weir postava contos e tirinhas ali havia anos, e um punhado de leitores frequentes pediu para ser avisado quando saísse capítulo novo. Ele montou uma lista de email e passou a mandar aviso a cada episódio.
A plateia era pequena e muito específica. Gente de exatas, programador, engenheiro, químico, físico, o tipo de leitor que abre uma história sobre um astronauta abandonado em Marte já conferindo a conta.
E a conta estava exposta na página. Weir escreveu um programa próprio de mecânica orbital para calcular as trajetórias da nave do livro, e deixou no texto o número de combustível, o tempo de viagem, as calorias por dia de batata e a água produzida a partir de hidrazina.
Cada capítulo publicado voltava com correção. Um leitor apontava o erro na janela de lançamento, outro discordava da química do combustível, um terceiro mostrava que a plantação não fechava em calorias. Weir consertava e seguia para a cena seguinte.
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Três anos de capítulos de graça não foram o rascunho do livro. Foram a revisão técnica que nenhum autor estreante consegue pagar.
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Terminado o romance, os pedidos mudaram de assunto. Leitor queria ler no aparelho, e não no navegador, então ele montou uma versão para e-reader e deixou o arquivo para baixar de graça no mesmo site.
Aí veio o pedido que virou negócio. Um grupo pediu o livro na Kindle, porque baixar direto no aparelho era mais simples que passar por cabo. A loja da Amazon não aceitava publicação a preço zero, e o mínimo permitido era 99 centavos.
Weir subiu o arquivo pelo mínimo, em setembro de 2012, com a versão gratuita continuando no ar no site de sempre. Cobrar era a única maneira de atender ao pedido.
Em três meses o arquivo de 99 centavos vendeu perto de 35.000 cópias e chegou ao topo da lista de ficção científica da Amazon. Na faixa de preço mínimo a plataforma paga 35% ao autor, algo como 35 centavos por cópia vendida.
Repare no que ele não fez. Não mandou original para agente, não montou lançamento, não comprou anúncio e não segurou o texto esperando contrato. Publicou em série, corrigiu com quem leu e só depois pôs preço.
A ordem importa mais que a plataforma. O texto chegou à loja já corrigido por leitores que acompanharam três anos de capítulos e já com plateia formada, e a loja só precisou registrar a venda.
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