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John McPhee, nascido em Princeton, Nova Jersey, em 1931, escreve para a The New Yorker desde 1965 e é o autor do ensaio Draft No. 4. Ele trabalha com não ficção literária (relato de fatos reais escrito com técnica de romance) e já publicou mais de 30 livros.
Em 1999, recebeu o Prêmio Pulitzer de não ficção por Annals of the Former World (Anais do Mundo Antigo), um volume de geologia que reúne quatro livros anteriores e um texto novo. Desde 1975 dá um curso de escrita na Universidade de Princeton, onde formou repórteres e editores de várias redações americanas.
Quatro passes, quatro tarefas
No ensaio, McPhee divide a escrita em etapas com funções diferentes. O primeiro rascunho é o mais penoso: o autor despeja o material na estrutura que planejou, sem se preocupar com a qualidade das frases.
O segundo e o terceiro servem para reorganizar, cortar e reescrever trechos inteiros. Só quando a forma está firme ele passa ao quarto, o das palavras isoladas. Trocar uma palavra antes de a cena estar no lugar é trabalho perdido, porque a cena pode cair inteira na revisão seguinte.
McPhee resumiu o princípio numa frase do próprio ensaio Draft No. 4, publicado na The New Yorker em 2013: “o jeito de fazer um texto é fazê-lo três ou quatro vezes, nunca uma só”.
O truque contra o bloqueio
O primeiro rascunho travava McPhee desde os tempos de estudante. Para destravar, ele conta no ensaio que começava o texto como uma carta, com “Querida mãe” no alto da página, e escrevia para ela tudo que sabia sobre o assunto, inclusive as queixas sobre a dificuldade.
Depois apagava a saudação e os lamentos, e sobrava um rascunho ruim, mas completo. Com material na página, as três etapas seguintes tinham sobre o que trabalhar.
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O dicionário entra depois da estrutura, porque só a frase que vai ficar merece a palavra exata.
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O livro que reuniu o método
O ensaio de 2013 fazia parte de uma série de textos de McPhee sobre o próprio ofício na revista. Em 2017, a editora Farrar, Straus and Giroux reuniu oito deles num livro, também chamado Draft No. 4, com o subtítulo On the Writing Process (Sobre o Processo de Escrita).
O capítulo do quarto rascunho virou referência em cursos de escrita porque transforma uma intuição vaga, a de “achar a palavra certa”, numa tarefa com ferramenta, ordem e momento definidos.
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