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O comprador desconhecido lê um trecho do seu livro sem pagar nada, e o arquivo escolhe qual trecho.
A amostra do Kindle começa no primeiro elemento do arquivo e segue até perto dos 10% do total, sem pular nada pelo caminho. A Amazon publica a descrição da função nas páginas de ajuda do KDP, e o mesmo percentual aparece no aplicativo de leitura quando o comprador pede o trecho.
Vale olhar o que ocupa o começo de um livro independente comum. Capa. Folha de rosto. Página de copyright. Dedicatória. Agradecimentos com nomes de família. Sumário completo com todos os capítulos. Epígrafe. Nota do autor. Prólogo.
Nenhum desses itens é proibido. Todos eles consomem percentual, e o percentual tem teto.
Faça a medição em palavras, porque o autor entende palavra melhor do que byte. Um manuscrito de 60 mil palavras libera perto de 6 mil. Agradecimentos de 300 palavras, nota do autor de 400 e prólogo de 2.000 somam 2.700. Restam 3.300 palavras de livro de verdade, pouco mais da metade do que a loja ofereceu.
O sumário merece atenção à parte. Num arquivo digital, a lista de capítulos com links ocupa espaço real e aparece antes do texto em boa parte das conversões, o que empurra o corte da amostra ainda mais para trás.
O prólogo explicativo é o caso mais caro dos que aparecem nessa lista. Ele costuma trazer história do mundo, contexto político, genealogia de família ou justificativa metodológica, escrito num registro distante, sem personagem em cena e sem conflito ativo.
Quem lê uma amostra ainda não se importa com o mundo da história. A curiosidade sobre contexto nasce depois do vínculo com alguém dentro da página, e o prólogo tenta a ordem inversa: entrega a enciclopédia antes de entregar o motivo para consultá-la.
Em não ficção prática a versão do problema muda de roupa. O começo traz a trajetória do autor, a lista de credenciais, a explicação de por que o tema importa e um capítulo introdutório sobre o que os próximos capítulos farão. O leitor procurava uma solução e recebeu um índice comentado.
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O trecho grátis é o argumento de venda mais forte que um autor independente tem, e ele custa zero em mídia. Gastar esse espaço com preparação equivale a mandar um vendedor pedir licença durante a apresentação inteira.
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Existe um detalhe técnico que agrava o caso. Como a amostra corta no percentual, e não no fim de um capítulo, um começo pesado faz o corte cair exatamente onde o livro estava começando a andar, na página em que a primeira cena real aparece.
O comprador, então, vê a tela de compra logo depois de ter atravessado agradecimentos e explicação. Ele foi apresentado à embalagem do livro e não ao livro, e a decisão que ele toma nesse ponto tem base em material que o autor nem considerava parte da obra.
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