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Claude Mendibil, editora autônoma enviada pela Robert Laffont, anotou cerca de 130 páginas de manuscrito, uma letra por vez. Ela trabalhava com Bauby três horas por dia, sete dias por semana, durante dois meses de 1996. Alguns capítulos foram ditados a Michel Abécassis, adjunto de Bauby na Elle.
Como a letra chegava ao papel
A ordem das letras foi montada pela fonoaudióloga Sandrine Fichou, do hospital de Berck: E, S, A, R, I, N, T, U, L, O, M, D, P, C, F, B, V, H, G, J, Q, Z, Y, X, K, W. As letras mais usadas no francês vinham primeiro, e as mais raras, por último.
Mendibil recitava a sequência, e Bauby piscava quando ela chegava à letra certa. Ela anotava a letra e voltava ao E para buscar a seguinte.
Segundo o jornal The Irish Times, a frase pronta era lida de volta para conferência: uma piscada confirmava, duas apontavam erro, e um fechamento longo da pálpebra marcava o ponto final.
A ordem por frequência economizava tempo. O E, letra mais comum do francês, saía na primeira chamada; o W, raro em palavras francesas, exigia 25 letras recitadas antes dele.
O ritmo cobrava o preço mesmo assim. O jornal Los Angeles Times calculou, em 1997, cerca de 200 mil piscadas para o livro inteiro, perto de dois minutos por palavra.
A revisão feita de cabeça
Com cada palavra custando minutos, Bauby não podia rascunhar na transcrição. Ele descreveu a solução no próprio livro, O Escafandro e a Borboleta, de 1997: “Na cabeça, reviro cada frase dez vezes, corto uma palavra, acrescento um adjetivo e decoro o texto, parágrafo por parágrafo”.
Segundo o Irish Times, Mendibil chegava ao quarto às 12h30. A manhã ficava para Bauby compor e revisar; a tarde, para transcrever o que já tinha passado pela revisão.
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Quando corrigir na página custa caro, a revisão muda de lugar e acontece antes da primeira letra.
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O efeito aparece no livro. São 29 capítulos curtos, contando o prólogo, cada um com título próprio, feitos de frases que cabem inteiras na memória de quem as compôs.
Três passos para compor de cabeça
1. Escolha um parágrafo do capítulo em andamento e repita a primeira frase, sem olhar, até ela sair igual três vezes seguidas.
2. Corte a palavra em que você tropeça na repetição; a frase que a memória não segura costuma ter palavra sobrando.
3. Só com o parágrafo inteiro decorado, escreva o texto sem parar para corrigir e compare com a versão que já estava no arquivo.
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