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Lily Bloom tem 23 anos, acaba de enterrar o pai e decide abrir uma floricultura em Boston. Numa cobertura, na noite do enterro, conhece Ryle Kincaid, um neurocirurgião bonito, direto e avesso a compromisso.
Os dois se aproximam devagar. Ryle muda de ideia sobre namoro, e o romance parece seguir o roteiro clássico do gênero, com flerte, mal-entendido e reconciliação.
A primeira metade engana de propósito. Quando Ryle empurra Lily pela primeira vez, ele pede desculpas, chora, promete que não volta a acontecer, e a leitora sente a mesma vontade de acreditar que a personagem sente.
Em paralelo, o livro abre os diários da adolescência de Lily, escritos como cartas para a apresentadora Ellen DeGeneres. Neles aparece Atlas Corrigan, um garoto sem casa que Lily abrigou escondido no Maine e que foi o primeiro amor dela.
Os diários também mostram o que Lily via em casa: o pai batia na mãe, e a mãe ficava. A filha jurou que nunca viveria aquela história, e a vida adulta coloca a personagem diante da mesma escolha.
O passado de Ryle
O livro explica a raiva de Ryle sem desculpá-la. Aos seis anos, ele disparou por acidente a arma do pai, e o tiro tirou a vida do irmão mais velho, Emerson. A tragédia ajuda a entender o homem, e Lily decide que ela não apaga os golpes.
Grávida, Lily se separa de Ryle. A filha nasce, recebe o nome de Emerson, e Lily diz à bebê a frase que dá título ao livro: o ciclo de violência que veio da avó termina com as duas.
No fim, Lily reencontra Atlas, agora dono de um restaurante em Boston. A história fecha com os dois começando de novo, sem casamento nem promessa, e Ryle segue presente como pai da menina.
Uma frase da mãe de Lily resume a dúvida que o romance inteiro testa:
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“There is no such thing as bad people. We're all just people who sometimes do bad things.” (Não existe gente má. Somos todos apenas pessoas que às vezes agem mal.)
Colleen Hoover, It Ends With Us, 2016
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Na nota da autora, no fim do volume, Hoover conta que a história nasceu do casamento dos próprios pais: o pai agredia a mãe, e a mãe saiu de casa quando Colleen tinha dois anos. A autora chama o livro do mais difícil que escreveu.
Para quem escreve, o encaixe está no final. Um desfecho que dói e reconforta na mesma página faz a leitora querer contar para alguém, e o vídeo de reação no TikTok nasce dessa vontade.
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