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Na gráfica, o livro fecha em múltiplo de 16 páginas

Uma folha grande dobrada três vezes vira um caderno de 16 páginas, e a revisão que acrescenta cinco pode pagar um caderno inteiro.

Folha de impressão dobrada em caderno de 16 páginas sobre a mesa de uma gráfica.

Um caderno de 16 páginas antes do corte.

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Uma folha grande de papel, três dobras, um corte de guilhotina. Os três transformam um retângulo liso em 16 páginas de livro, prontas para costurar.

A conta é de dobradura escolar. A folha impressa dos dois lados é dobrada ao meio, depois ao meio de novo, depois mais uma vez. Três dobras dão oito folhas presas pelo vinco, e oito folhas dão 16 páginas, contando frente e verso.

As gráficas chamam esse bloco de caderno. Livro de miolo costurado, o miolo sendo o conjunto das páginas por dentro da capa, é uma pilha de cadernos encostados um no outro e presos pela lombada, a parte de trás onde aparece o título.

Daí sai uma regra que pega o autor estreante de surpresa. O livro impresso em offset (a impressão industrial, de chapa e grande tiragem) termina quase sempre num múltiplo de 16. Cento e sessenta páginas são dez cadernos. Cento e setenta e seis são onze.

O problema aparece na última revisão. O autor acrescenta uma cena, a editora pede uma nota, o revisor sugere um epílogo, e o arquivo cresce cinco páginas. Cento e sessenta viram cento e sessenta e cinco, e a gráfica não imprime meio caderno barato: ela imprime o caderno inteiro.

O resultado são onze páginas em branco no fim do livro, ou onze páginas de papel pagas para segurar cinco de texto. Em tiragem de mil exemplares, um caderno a mais é papel, tinta e máquina multiplicados por mil.

Nenhum leitor vê a conta. Ele só repara nas páginas vazias depois da última linha, ou no preço de capa um pouco mais alto do que o de um livro parecido.

A primeira seção mostra como a gráfica monta o caderno por dentro e por que as páginas não saem na ordem em que o autor as escreveu.

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I  A DOSE

Três dobras, dezesseis páginas

Antes da dobra, a gráfica faz a imposição (a montagem das páginas na folha grande, em posições calculadas para cair na ordem certa depois de dobradas). É a etapa que o autor nunca vê e que decide tudo.

Numa folha de caderno de 16, cada lado recebe oito páginas. Elas não aparecem em fila. A página 1 fica ao lado da 16, a 4 encosta na 13, e várias saem de cabeça para baixo, porque a dobra vai girá-las.

Quem desdobra um caderno sem cortar vê um mosaico sem sentido. Quem dobra a mesma folha três vezes, no sentido certo, vê o livro aparecer na sequência.

A dobra e o corte

Depois da impressão, a dobradeira, a máquina que faz os vincos, entrega o caderno fechado. As bordas de cima e da lateral ainda estão presas pela dobra, como um envelope.

O caderno vai para o alceamento (a reunião dos cadernos na ordem do livro, um sobre o outro). Em seguida vem a costura ou a cola na lombada e, por último, a guilhotina, que apara as três bordas e libera as páginas.

O corte final come alguns milímetros de cada lado. Por isso o arquivo do miolo leva sangria, uma margem extra de imagem além da borda, para nenhuma ilustração terminar num filete branco.

Por que dezesseis

O caderno de 16 é o padrão mais comum porque equilibra o tamanho da folha que a máquina aceita com o formato do livro. Uma folha maior, dobrada quatro vezes, rende 32 páginas; uma menor, dobrada duas vezes, rende 8.

O livro impresso cresce de caderno em caderno, nunca de página em página.

Cadernos de 32 páginas ficam grossos demais para dobrar bem em papel encorpado. Cadernos de 8 multiplicam o trabalho de costura. A gráfica escolhe o tamanho pelo papel, pelo formato e pela máquina, e o orçamento do livro já sai pensado em cadernos.

O meio caderno

Algumas gráficas aceitam um caderno de 8 páginas no fim do livro para acertar a conta. O meio caderno resolve o excesso pequeno, mas entra na produção como uma peça separada, com acerto de máquina próprio.

O acerto é a preparação da impressora para cada folha diferente: chapa nova, ajuste de tinta, folhas de teste descartadas. Em tiragem pequena, esse custo fixo pesa quase tanto quanto o caderno inteiro, e o meio caderno nem sempre sai mais barato.

 
 

II  NA PÁGINA

Cinco páginas a mais na revisão

O autor que conhece o caderno faz a conta do livro antes de mandar o arquivo final: total de páginas dividido por 16, e o que sobra é a pergunta da revisão. Sobra pequena pede corte; sobra grande pede decisão.

As páginas contadas não são só as do texto. Entram a folha de rosto, a ficha catalográfica (o bloco técnico com dados de catalogação no verso do rosto), o sumário, a dedicatória, os agradecimentos e as páginas brancas que separam as partes.

Um romance de 152 páginas de texto pode passar de 160 só com o material de abertura. O autor que ignora essa parte descobre o caderno extra na prova da gráfica, quando o prazo já está correndo.

Onde caber as cinco páginas

O diagramador tem ferramentas para encolher o livro sem cortar uma palavra. A primeira é a mancha gráfica (a área da página ocupada pelo texto): margens alguns milímetros menores recuperam linhas em cada página.

A segunda é a entrelinha, o espaço entre uma linha e outra. Uma redução discreta, invisível para o leitor comum, devolve uma ou duas linhas por página ao longo de 160 páginas.

A terceira é a abertura de capítulo. Livro que abre todo capítulo em página ímpar, a da direita, deixa uma página em branco sempre que o capítulo anterior termina em ímpar. Num romance de vinte capítulos, abrir em qualquer página elimina várias dessas lacunas.

Antes de cortar a cena, o autor pode pedir ao diagramador duas linhas por página.

Onde usar as páginas que sobram

A sobra grande vira oportunidade. Onze páginas em branco no fim cabem um trecho do próximo livro, uma página de outros títulos do autor, um convite para a lista de email ou um posfácio curto.

Editoras usam o espaço há décadas para anunciar o catálogo da casa. O autor independente pode fazer o mesmo e transformar papel que já foi pago em vitrine para o leitor que acabou de chegar à última página.

Quando cortar

Cortar continua sendo opção. Cinco páginas a mais quase sempre vêm de material acrescentado no fim do processo, quando o autor já está cansado de reler. Uma cena que entrou na última semana merece a mesma pergunta das outras: ela segura o capítulo, ou só repete o que o leitor já sabe?

Se a resposta for repetir, o corte resolve duas contas. O livro fica melhor e volta a fechar em dez cadernos.

 

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III  O MERCADO

Offset, tiragem e impressão sob demanda

A conta do caderno vale para a gráfica offset, que imprime centenas ou milhares de exemplares de uma vez e cobra pelo papel e pelo acerto de cada folha. Na impressão sob demanda, a lógica muda.

A impressão sob demanda (o livro impresso só quando alguém compra) usa máquina digital, sem chapa e sem caderno dobrado de folha grande. A página é impressa em folha solta, e o livro pode ter praticamente qualquer número par de páginas.

A Kindle Direct Publishing (KDP, o serviço de autopublicação da Amazon) funciona assim para livros físicos. O custo de impressão por exemplar sobe com o número de páginas, e cada página a mais pesa no valor descontado do autor em cada venda.

Qual modelo combina com o seu livro

A gráfica offset ganha quando a tiragem é grande e o autor tem onde guardar e como vender as caixas: palestras, eventos, livrarias parceiras, venda direta. O custo por exemplar cai conforme a tiragem sobe, porque o acerto se dilui.

A impressão sob demanda ganha no começo. Não há estoque parado, não há caixas na garagem, e o livro pode ser corrigido entre uma venda e outra. O custo por exemplar é mais alto, e o preço de capa precisa cobrir essa diferença.

Muitos autores independentes começam no sob demanda para testar o livro e só migram para offset quando a venda justifica uma tiragem.

O caderno no orçamento

Quem pede orçamento a uma gráfica offset recebe o preço por número de páginas, formato, papel e tiragem. Vale pedir duas cotações: uma com o número atual de páginas e outra com o múltiplo de 16 logo abaixo.

A diferença entre as duas mostra quanto custa o caderno extra naquele livro, naquela tiragem. Com o número na mão, a decisão entre cortar, diagramar ou usar as páginas sobrando deixa de ser chute.

Três passos para fechar o livro no caderno

1. Conte todas as páginas do miolo, inclusive rosto, ficha, sumário e páginas brancas, e divida o total por 16.

2. Se sobrarem até oito páginas, peça ao diagramador ajuste de margem, entrelinha e abertura de capítulo antes de cortar texto.

3. Se sobrarem mais de oito, planeje o uso das páginas restantes com trecho do próximo livro, catálogo ou convite para a lista.

Hoje: abra o arquivo do seu livro, faça uma divisão do total de páginas por 16 e anote quantas faltam para o próximo caderno, em até 24 horas.

 
 
 

Quiz da edição

No exemplo da edição, um livro de 160 páginas (dez cadernos) ganha cinco páginas na revisão final e passa para 165. Como a gráfica não imprime meio caderno, quantas páginas em branco sobram no final do livro impresso?

A5 páginas em branco
B8 páginas em branco
C11 páginas em branco
D16 páginas em branco

Veja o ranking de quem mais acerta →

 

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