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Niklas Luhmann nasceu em Lüneburg, no norte da Alemanha, em 1927, e começou a carreira longe da sociologia, como jurista da administração pública. Estudou direito em Freiburg de 1946 a 1949 e trabalhou no tribunal administrativo de Lüneburg e no Ministério da Cultura da Baixa Saxônia.
A primeira coleção de fichas nasceu nesse período, em 1951. O jovem funcionário lia filosofia e teoria social nas horas livres e anotava o que lia, sem imaginar que a caixa sustentaria uma carreira inteira em outra área.
Harvard e a troca de área
Em 1960, conseguiu uma bolsa para passar um ano na Universidade Harvard, onde estudou com o sociólogo americano Talcott Parsons, então a referência mais influente da disciplina.
Na volta, deixou o serviço público e foi para a pesquisa. Em 1966, concluiu na Universidade de Münster o doutorado e a habilitação (a segunda tese, exigida na Alemanha para assumir uma cátedra), as duas no mesmo ano.
Em 1968, virou professor de sociologia na recém-criada Universidade de Bielefeld, onde deu aulas por 25 anos e se aposentou em 1993. Uma segunda coleção de fichas, aberta em 1963, acompanhou a cátedra inteira.
Uma linha no formulário
No prefácio de Die Gesellschaft der Gesellschaft (A Sociedade da Sociedade), de 1997, Luhmann conta o que respondeu quando a faculdade de sociologia de Bielefeld, aberta em 1969, pediu a descrição do projeto de pesquisa de cada professor.
A resposta coube numa linha: “teoria da sociedade; duração: 30 anos; custo: nenhum”. O custo zero tinha explicação. O equipamento de pesquisa já estava em casa, guardado nas gavetas.
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O orçamento do projeto de 30 anos cabia numa caixa de madeira com papel numerado.
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O prazo cumprido
O livro de 1997 saiu pela editora Suhrkamp, em dois volumes e mais de mil páginas, 28 anos depois da linha no formulário. Era a teoria da sociedade prometida, quase dentro do prazo.
Nesse intervalo, Luhmann publicou dezenas de livros e centenas de artigos, sobre temas tão distantes quanto o direito, a economia, a arte e o amor. Liebe als Passion (O Amor como Paixão), de 1982, estuda como os romances europeus, desde o século 17, ensinaram o leitor a falar de amor.
As fichas mais recentes do arquivo são de 1997, e Luhmann morreu em Oerlinghausen no ano seguinte. No ensaio Kommunikation mit Zettelkästen (Comunicação com Caixas de Fichas), de 1981, já tinha descrito a caixa como um “parceiro de comunicação”, capaz de surpreender o próprio dono com ligações que ele não lembrava ter feito.
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