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Editora não compra promessa quando pode comprar histórico. A tiragem particular existe para você chegar na mesa com histórico.
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Primeiro movimento, o corte da tiragem. Imprima o menor número que ainda dá para vender de verdade. Entre 100 e 300 exemplares, o suficiente para gerar dado e pequeno o bastante para não virar estoque parado na sua sala.
Segundo movimento, o preço obrigatório. Nunca distribua de graça na fase de teste. Livro dado some sem informação nenhuma. O único sinal que vale é alguém abrindo a carteira por um objeto que ainda não tem selo de editora.
Terceiro movimento, a lista antes da gráfica. Antes de mandar imprimir, escreva os nomes de quem você acredita que compraria. Se você não chega a duas vezes o tamanho da tiragem, imprima menos e volte a escrever a lista.
Quarto movimento, a defesa do formato. O que parece defeito comercial no seu livro costuma ser a assinatura dele. Potter brigou por um livro pequeno com uma imagem por página, e o formato virou marca registrada do catálogo inteiro.
Quinto movimento, a contabilidade da venda. Anote data, nome e valor de cada exemplar vendido. Uma planilha de trinta linhas vale mais numa reunião do que qualquer parágrafo sobre o quanto sua avó chorou lendo.
Sexto movimento, a captura da reação. Peça uma frase a cada comprador e guarde com a data. Não serve elogio genérico. Serve a pessoa dizendo o que fez com o livro depois de ler, para quem emprestou, o que releu.
Sétimo movimento, o retorno com número. Volte para quem recusou você. Não escreva pedindo revisão de decisão, escreva informando o resultado: tantos exemplares, tanto tempo, tanto preço, e a lista de quem pagou.
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“Era uma vez quatro coelhinhos, e os nomes deles eram Flopsy, Mopsy, Cauda de Algodão e Pedro.”
Beatrix Potter, A História de Pedro Coelho, 1902
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A frase que abre o livro tem catorze palavras e nenhuma preparação. Ela não explica o mundo, não apresenta a autora, não pede licença. Entrega quatro nomes e obriga a criança a perguntar o que acontece com eles.
Três armadilhas aparecem nessa fase. A primeira é imprimir grande demais por vaidade. Mil exemplares no primeiro teste transformam o experimento numa dívida e a dívida te faz aceitar qualquer contrato depois.
A segunda é confundir tiragem particular com carreira independente. Aqui a impressão é instrumento de prova, com prazo e objetivo. Se ela virar seu negócio permanente, ótimo, mas foi outra decisão, tomada com outros dados.
A terceira é esconder a recusa. Muita gente para de falar com a editora que disse não por orgulho ferido. Potter continuou negociando com a Warne durante o processo inteiro, com a correspondência aberta e o tom civilizado.
A prova de que o método funcionou é bem chata de descrever. Você chega numa reunião com uma planilha, um livro impresso e uma pergunta objetiva sobre tiragem, e ninguém no outro lado da mesa pergunta se você tem talento.
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